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title: "Ciclones Subtropicais no Sul do Brasil: Temporada e Riscos"
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description: "Saiba como os ciclones subtropicais se formam no litoral sul brasileiro, quando ocorrem, quais estados são mais afetados e como se preparar para a temporada"
date: "2026-03-25"
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# Ciclones Subtropicais no Sul do Brasil: Temporada e Riscos

Saiba como os ciclones subtropicais se formam no litoral sul brasileiro, quando ocorrem, quais estados são mais afetados e como se preparar para a temporada


Quando se fala em ciclones, a maioria das pessoas pensa em furacões tropicais devastadores que atingem o Caribe, os Estados Unidos e o Sudeste Asiático. Poucos brasileiros sabem, no entanto, que o litoral sul do Brasil possui sua própria temporada de ciclones — não tropicais, mas subtropicais — que podem causar ventos destrutivos, ressacas violentas, chuvas intensas e danos significativos. Com a chegada do outono e a aproximação do inverno, entramos no período do ano em que esses sistemas são mais frequentes.

## O Que São Ciclones Subtropicais?

Um [ciclone](/glossario/ciclone/) subtropical é um sistema de baixa pressão atmosférica com circulação ciclônica (no sentido horário no Hemisfério Sul) que combina características de ciclones tropicais e de ciclones extratropicais. Eles se formam em latitudes intermediárias — geralmente entre 20°S e 40°S — sobre águas do oceano com temperatura moderada, e apresentam um núcleo que pode ser parcialmente quente (como um ciclone tropical) e parcialmente frio (como um ciclone extratropical).

Enquanto os ciclones tropicais se alimentam exclusivamente da evaporação de águas oceânicas quentes (acima de 26°C), os ciclones subtropicais derivam parte de sua energia do contraste térmico entre massas de ar — característica de sistemas extratropicais. Isso faz com que eles possam se formar em águas com temperatura mais baixa do que a necessária para um furacão.

## Ciclones Subtropicais vs. Furacões Tropicais

É fundamental distinguir os dois fenômenos, pois há diferenças importantes em intensidade, estrutura e comportamento:

### Intensidade

Os ciclones subtropicais que se formam no Atlântico Sul geralmente são menos intensos que os furacões tropicais do Atlântico Norte. A maioria atinge ventos máximos entre 65 km/h e 120 km/h — equivalentes a uma tempestade tropical ou, no máximo, a um furacão de categoria 1 na escala Saffir-Simpson. Mesmo assim, são capazes de causar danos graves, especialmente em áreas costeiras com infraestrutura vulnerável.

### Estrutura

Enquanto um furacão possui um "olho" bem definido e uma parede de nuvens concêntrica com tempestades intensas, o ciclone subtropical tem uma estrutura mais assimétrica. Os ventos mais fortes e as chuvas mais intensas podem estar concentrados em um lado do sistema, tornando seu comportamento menos previsível.

### Trajetória

Furacões tropicais se movem geralmente de leste para oeste, impulsionados pelos ventos alísios. Os ciclones subtropicais no Atlântico Sul frequentemente se formam próximo à costa e podem se deslocar em direções variáveis, inclusive permanecendo quase estacionários por dias — o que pode prolongar os impactos sobre uma mesma região.

## Quando e Onde Ocorrem

A temporada de ciclones subtropicais no Atlântico Sul concentra-se nos meses de outono e inverno — de abril a setembro — com pico entre maio e julho. Isso difere da temporada de furacões do Atlântico Norte, que vai de junho a novembro com pico entre agosto e outubro.

### Área de Formação

Os ciclones subtropicais brasileiros se formam predominantemente sobre o Atlântico Sul, entre o litoral de Santa Catarina e o litoral do Rio de Janeiro, numa faixa entre 100 e 500 km da costa. A [corrente de jato](/glossario/corrente-de-jato/) subtropical e as águas relativamente aquecidas pela Corrente do Brasil criam as condições favoráveis para a ciclogênese nessa região.

A costa do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina é a mais afetada, mas os efeitos podem se estender até o Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro, dependendo da posição e trajetória do sistema.

## Casos Notáveis

### Ciclone Yakecan (2022)

O Ciclone Yakecan, em maio de 2022, foi o ciclone subtropical mais significativo a afetar o Sul do Brasil em anos recentes. Com ventos que ultrapassaram 110 km/h e ondas de até 5 metros, ele causou destruição no litoral gaúcho e catarinense, com queda de árvores, destelhamento de residências, interrupção de energia elétrica e ressacas violentas que atingiram orlas e estruturas costeiras.

O Yakecan foi o primeiro ciclone subtropical a receber nome oficial pelo Centro de Hidrografia da Marinha do Brasil, seguindo uma lista de nomes em tupi-guarani adotada a partir de 2011. O nome significa "o som do céu" em tupi.

### Ciclone Anita (2010)

Em março de 2010, o Ciclone Anita se formou próximo ao litoral catarinense com características subtropicais. Gerou ventos de mais de 90 km/h e provocou ressacas significativas, com ondas que danificaram a orla de cidades como Florianópolis e Balneário Camboriú.

### Ciclone Catarina (2004)

Embora classificado como ciclone extratropical que transitou para tropical (um caso extremamente raro no Atlântico Sul), o Ciclone Catarina de março de 2004 permanece como o evento ciclônico mais extremo já registrado no litoral brasileiro. Atingiu o litoral sul de Santa Catarina com ventos estimados em 180 km/h — equivalentes a um furacão de categoria 2 —, destruindo centenas de casas e deixando milhares de desabrigados.

O Catarina é um caso à parte na [climatologia](/glossario/climatologia/) brasileira e levantou questões sobre se as [mudanças climáticas](/blog/mudancas-climaticas-brasil-impactos/) poderiam tornar eventos dessa magnitude mais frequentes no futuro.

## Impactos dos Ciclones Subtropicais

### Ventos Destrutivos

Ventos sustentados de 80 a 120 km/h, com rajadas que podem ultrapassar 150 km/h, são capazes de derrubar árvores, arrancar telhas, danificar estruturas frágeis e derrubar linhas de transmissão de energia. As regiões costeiras e áreas rurais com construções menos resistentes são as mais vulneráveis.

### Ressacas e Ondas Gigantes

Talvez o impacto mais significativo dos ciclones subtropicais seja a geração de ondas de grande altura e ressacas violentas. Mesmo quando o centro do ciclone permanece a centenas de quilômetros da costa, as ondas geradas pelo vento podem se propagar até o litoral, causando inundação costeira, erosão de praias e destruição de infraestrutura à beira-mar.

### Chuvas Intensas

As chuvas associadas a ciclones subtropicais podem ser volumosas e persistentes, especialmente no setor leste do sistema. Acumulados de 100 a 200 mm em 24 horas são possíveis, provocando alagamentos, deslizamentos de terra em encostas e transbordamento de rios em áreas urbanas.

### Maré de Tempestade

Em casos mais intensos, a combinação de ventos fortes empurrando a água contra a costa e a baixa pressão atmosférica no centro do ciclone pode elevar o nível do mar temporariamente — fenômeno chamado de maré de tempestade. Esse efeito agrava as inundações costeiras, especialmente quando coincide com a maré astronômica alta.

## Como se Preparar

A preparação para a temporada de ciclones subtropicais envolve atenção aos alertas meteorológicos e medidas práticas:

- **Acompanhar a previsão do tempo** emitida pelo INMET, CPTEC/INPE e pela Marinha do Brasil, que emitem avisos especiais quando ciclones são detectados. Entender [como funciona a previsão do tempo](/blog/como-funciona-previsao-do-tempo/) ajuda a interpretar melhor esses alertas.
- **Reforçar telhados e estruturas vulneráveis** antes do início da temporada, especialmente em construções mais antigas ou com telhas soltas.
- **Evitar áreas costeiras durante alertas de ressaca** — ondas de tempestade podem surpreender e são extremamente perigosas.
- **Ter um kit de emergência** com lanterna, pilhas, água, alimentos não perecíveis e documentos protegidos, caso haja interrupção de serviços essenciais.
- **Não atravessar áreas alagadas** a pé ou de carro — as enchentes associadas a ciclones podem ter correntes fortes e esconder buracos e detritos.
- **Defesa Civil**: anotar o número de telefone da Defesa Civil do seu município e o número nacional: 199.

## O Futuro dos Ciclones no Atlântico Sul

A ciência ainda debate se as mudanças climáticas tornarão os ciclones subtropicais mais frequentes ou mais intensos no Atlântico Sul. Alguns estudos sugerem que o aquecimento das águas oceânicas pode fornecer mais energia para esses sistemas, potencialmente aumentando sua intensidade. Outros apontam que mudanças nos padrões de vento em altitude poderiam inibir a formação de ciclones em certas regiões.

O que é consenso entre os meteorologistas é que a elevação do nível do mar — consequência direta do aquecimento global — tornará os impactos costeiros dos ciclones subtropicais mais graves, mesmo que sua frequência não aumente. Áreas que hoje sofrem ressacas moderadas poderão enfrentar inundações significativas no futuro, com o mar partindo de um nível de base mais alto.

A [previsão meteorológica](/blog/como-funciona-previsao-do-tempo/) evoluiu muito nas últimas décadas, e hoje os modelos numéricos conseguem identificar a formação de ciclones subtropicais com até cinco dias de antecedência. Essa janela de previsibilidade é fundamental para a emissão de alertas e a evacuação preventiva de áreas de risco. A população do litoral sul do Brasil precisa estar atenta: os ciclones subtropicais não são eventos raros e, a cada outono e inverno, a costa gaúcha e catarinense entra novamente na mira desses poderosos sistemas atmosféricos.
